Eleição café com leite
A falta de sincronia entre a Justiça comum e a Eleitoral provocou um mal estar sem tamanho nas últimas eleições. Muita gente saiu da cabine de votação convicta de que havia escolhido seu candidato. Digitaram o número e viram a foto dele na tela. Mas ficaram com cara de bobo no final da apuração. Apesar de alguns nomes terem ido para as urnas, quem estava com a candidatura impugnada não teve os votos computados por ainda estar respondendo a processo. Quem votou neles, viu suas intenções se transformarem em voto nulo. Uma frustração para os eleitores que se dispuseram a sair de casa e participar do processo eleitoral. Sentiram-se excluídos. Traídos. Como convidados que descobrem, já no meio da festa, que não haviam sido convidados. Um disparate provocado pela lentidão da Justiça. Impedir que candidatos com processo concorressem seria antidemocrático. Mas autorizar que eles fizessem campanha e fossem parar nas urnas foi desrespeito. Uma atitude de mau gosto, que revela o quanto o Judiciário consegue ser lento. E o quanto a lentidão do Judiciário ofende o cidadão comum. Será que um mutirão, como o que é feito para cobrar impostos, não resolveria o impasse? Será que, com um pouco de trabalho extra, não daria para julgar esses processos antes das eleições? O eleitor ficou confuso e a gente mais ainda. No meio da bagunça ainda não descobriram se o pato é macho. O certo é que a gente é que vai botar o ovo.
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